Métodos de Ensino do Esporte e da Educação Física

Método em série de jogos

A ideia, aqui, basicamente é que “jogando aprende-se, antes de tudo, através dos próprios jogos”.

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Esse método tem muitas semelhanças ao global em forma de jogo, até mesmo na terminologia. No entanto, na prática ele pode ser entendido mais facilmente. Para colocá-lo em ação, pode-se, por exemplo, estabelecer que serão feitos pequenos jogos, e em cada um será trabalhado um dos fundamentos técnicos do esporte. Um jogo de cinco minutos, em que deverá ser trabalhado somente o passe ou os tipos de passes, dependerá da realidade do grupo. Em outro jogo, poderá ser feito o passe somente após o aluno ter feito o drible. Noutro, o gol poderá ser feito somente de cabeça. No próximo, apenas três toques na bola (o terceiro, obrigatoriamente, deve ser um chute a gol). Em um novo jogo, poderá receber a bola somente aquele aluno que fez uma finta.

Esse é o método que indicamos para aqueles professores que têm a árdua função de fazer o “peneirão”. Na prática, geralmente é muito complicado adotá-lo, principalmente quando o número de candidatos for muito grande. Não há espaços de tempo ou espaços físicos para sua execução.

Ao executá-lo, o professor deverá ter fichas de registros dos desempenhos técnicos observados, designando assim alguns minutos para observar individualmente cada fundamento técnico.

Método recreativo

Sem dúvida, esse é o método, se não o mais em voga na atualidade, o mais popular adotado na iniciação dos esportes. São muitos os livros que apresentam atividades recreativas para o ensino dos mais variados conteúdos nas aulas de educação física. Muitos estudiosos o defendem em suas teorias. A adoção desse método se faz presente em todas as realidades e níveis dos esportes. Essa é a constatação que fizemos quando observamos aulas e treinamentos de equipes de competições. Porém, é claro, na realidade do alto nível a quantidade de treinos com ênfase lúdica é proporcionalmente menor. No entanto, nem por isso menos importante. Como exemplo, apresentamos ao longo deste livro atividades lúdicas no judô e nos demais esportes.

No final do livro, nos anexos, estão descritas atividades de aquecimento para equipes de alto nível do handebol que adotam o método e que, a partir da criatividade do professor, poderão ser adaptadas para outras modalidades esportivas.

É possível que os elementos técnicos ou táticos, abordados de uma maneira lúdica, ou seja, recreativa, propiciem ao docente um melhor aprendizado do esporte. Já no alto nível, tem o seu efeito “antiestressante”, ou seja, diminuem o nível de ansiedade, que é muito importante no sentido de contribuir na rotina de treinamento.

Corroborando a opinião sobre os benefícios oriundos do método recreativo aplicados no esporte de alto nível, cita-se MARIOTTI (1996): “Recreamo-nos quando conseguimos subtrair-nos ao habitual ou cotidiano, quando achamos deleite, seja levando a cabo uma atividade (…) . Em síntese, a prática rotineira, habitual e repetitiva precisa lançar mão do método recreativo.”

Método transfert

Método proposto por Bayer (1994), na Europa, com jogadores de handebol. Adotando-o, poderemos trabalhar mais de uma modalidade desportiva na mesma atividade, associando-se gestos técnicos desses esportes. Assim, ao se trabalhar a condução do futsal ou a progressão do handebol, por exemplo, estaremos exercitando e desenvolvendo em nossos alunos os eixos corporais inferior e superior, além de estarmos desenvolvendo o raciocínio rápido, as percepções óculo-pedais e óculo-manuais em uma só atividade.

Trata-se de um excelente método no sentido de estimular nos alunos as percepções de espaço, a inteligência para outros elementos presentes num contexto durante o jogo. Esse método poderá ser adotado por aquele professor que tem dificuldade de convencer alunos a praticarem o futsal. Para tanto, poderá mesclar as modalidades. Se o aluno tiver interesse apenas para o vôlei, a atividade poderá ter duas bolas, uma de vôlei e a outra de futsal. Como exemplo, citamos a seguinte atividade: duas colunas de alunos estarão dispostas diagonalmente, de modo que ao sinal do professor o primeiro de cada coluna deverá conduzir a bola e, no meio do percurso, trocar com o outro as bolas. Em seguida, aquele que recebeu a de vôlei fará um arremesso ou um ataque, enquanto que o outro deverá chutar a gol. É aí que o professor deverá agir de modo a elogiar aquele aluno que prefere o vôlei, dizendo-lhe que o chute foi muito bom, entre outras palavras de estímulos positivos. Assim é provável que esse aluno sinta firmeza nas próximas práticas, tomando gosto pela modalidade de futsal.

Método da cooperação-oposição

As noções de companheiro e adversário são básicas para o ensino e o entendimento da estrutura funcional do jogo. Assim, deve-se, através desse meio, dar ênfase aos valores de cooperação entre os praticantes que, para acontecer o jogo ou a competição, precisam do adversário, e este deverá ser visto como um “cooperador”. Do contrário, não teremos como jogar contra. Esse método, assim, enfatiza o significado de jogar “com” em detrimento do jogar “contra”. As duas situações são imprescindíveis no processo educacional. Porém, quando houver o predomínio da “oposição”, é interessante relembrar alguns valores que muitas vezes não estão explícitos – muitos foram esquecidos pelos apelos comerciais impostos por vários meios de comunicação. Há um reforço muito forte em torno da “oposição”. O professor deverá estar atento a esse fenômeno.


Acreditamos que esse é o método com o qual o professor poderá ganhar muitos alunos ou perder muitos alunos. Para confirmar essa posição, eis o que acontece, com base em fatos reais: você faz parte de um grupo de amigos que joga futebol ou futsal na quadra de um ginásio, sistematicamente quatro vezes por mês. Todos pagam uma taxa por jogo ou mensalmente. Então, após ter trabalhado durante várias horas no dia, você se desloca para esse ginásio a fim de jogar. Como você se sentiria ao sair desse jogo, que deveria ser para recreação ou lazer, se lá alguém da equipe adversária (“oposição”) desse um chute ou pontapé na sua perna com o objetivo de machucá-lo? A resposta, sem dúvida, é que você sentiria total descontentamento. Esse problema acontece com freqüência em muitos grupos de “amigos”.


Agora tente imaginar como são incorporados esses problemas em alunos de uma escola ou de uma escolinha de esportes onde o professor não consegue entender que as sensações de desprazer irão afastar os alunos das atividades. Isso poderá acontecer imediatamente ou depois de alguns dias. Há uma explicação fisiológica para esse afastamento.


De modo resumido, quando sentimos prazer com o que fazemos, secretamos mais beta-endorfinas, porém quando os alunos não sentem prazer nas atividades ou durante a aula, as catecolaminas (os hormônios da “fuga”) são jogados em maior quantidade na corrente sangüínea. O professor deverá ter noção e saber os efeitos oriundos a partir das técnicas, estímulos e principalmente dos métodos escolhidos para desenvolver as suas aulas. Se conseguir usar o método da cooperação-oposição de modo a não valorizar em demasia a vitória em detrimento da derrota, provavelmente será bem-sucedido na sua pedagogia, isto é, na condução das atividades das suas aulas sem permitir que alunos mais sensíveis sejam discriminados, o que, em alguns casos, será o motivo do afastamento das aulas de Educação Física.

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